Leishmaniose: o que é?

Unhas de gatos: para que servem?
13 de Agosto, 2021
Dirofilariose: o que é?
28 de Agosto, 2021

Unhas muito longas, descamação da pele, feridas nas orelhas e perda de peso, são ao alguns dos sintomas de Leishmaniose. Será que sabe em que consiste esta doença e como prevenir? É disso que vamos falar, no artigo de hoje.

O que é a Leishmaniose?

A Leishmaniose é uma doença provocada por um parasita protozoário que se chama Leishmania infantum. Este parasita infecta umas células de defesa designadas de macrófagos, onde sofrem uma diferenciação, multiplicação e posteriormente, quando esta célula ruptura, liberta várias Leishmanias que infectam vários tecidos e outras células.

É uma zoonose, ou seja, é uma doença que afeta também o Homem, e afeta outros animais como o cão e até o gato.

Mas como é que a Leishmania infantum entra no nosso corpo e no dos nossos animais?

Para o ciclo da Leishmania se completar, é necessária a presença de um vetor. Esse vetor, que é vulgarmente designado de mosquito, é o Phlebotomus e pertence à família Psychodidae.

 Contudo, apenas as fêmeas causam infecção, pois são as únicas que se alimentam de sangue.

O que acontece é que as fêmeas, que se alimentam de sangue, ao picarem um animal infetado, sugam também a Leishmania. No seu tubo digestivo a Leishmania sofre uma diferenciação, migra para o trato digestivo superior e, quando a fêmea se alimenta novamente injeta as formas parasitárias.

Sinais clínicos de Leishmaniose no cão:

Os sinais clínicos podem ser muito variáveis. Pode envolver manifestações a nível da pele e anexos ou alterações em alguns órgãos. Existem ainda alguns animais que embora sejam portadores de Leishmania, são assintomáticos. Mas os sintomas que mais frequentemente observamos são:

  • Unhas compridas (onicogrifose)
  • Descamação da pele
  • Perda de peso
  • Perda de pelo com falhas de pelo ao redor dos olhos
  • Feridas nas pontas das orelhas
  • Feridas nos membros que não cicatrizam
  • Sangramento do nariz (epistaxis)
  • Aumento dos gânglios linfáticos

O diagnóstico é feito através de análises clinicas que confirmam a presença do protozoário, seja através da sua identificação ou através da presença de anticorpos  contra a Leihmania infantum.

Mediante a severidade da doença, é estabelecido um protocolo terapêutico adequado ao quadro clinico que o animal exibe. Trata-se de um tratamento complexo e que não é sempre o mesmo, pois é diferente termos animais apenas com alterações de pele e sem alterações analíticas a nível renal ou hepático; ou termos animais que já apresentam algum grau de doença renal. O importante a reter é que sem tratamento, poderá ser fatal.

Por este motivo, sempre que falamos de Leishmaniose devemos insistir num ponto crucial: PREVENÇÃO! A Prevenção aqui é a chave!

Mas como é feita a prevenção?

1- Queremos manter à distância aquele que pode trazer a doença, o Phlebotomus. Por isso, antes de mais: repelência do vetor!

Isto consegue-se através do uso de pipetas ou coleiras repelentes. Existem várias opções no mercado, é importante conversar com o seu veterinário assistente e manter a desparasitação externa atualizada.

2- Montar uma resposta do sistema imune. Como?

Duas opções: vacinação ou xarope. Deverá optar por uma delas. Fale com o seu veterinário assistente e selecione o método que mais se adequa ao seu estilo de vida. A vacinação requer apenas uma dose por ano, o xarope deverá ser administrado todos os dias nos meses de Junho e Outubro.

Mesmo sendo vacinado ou tomando o xarope, deve fazer a repelência do mosquito. Aqui a ideia será: caso um Phlebotomus consiga furar a barreira da repelência e efetivamente picar, então temos uma segunda arma de defesa, que será um sistema imune apto a responder e a eliminar rapidamente o protozoário, evitando a sua disseminação.

3- Evitar sair nas horas críticas:

Nos dias quentes e pouco ventosos, em que o Phlebotomus poderá andar ativo (geralmente entre Abril/Maio-Outubro), evite passeios ao final do dia até ao amanhecer, pois é neste período de tempo que as fêmeas andam à procura de alimento.

4- Testar os reprodutores, pois também foi descrita a transmissão venérea (por contacto sexual) e vertical (de pais para filhos).

Antes de pensar em cruzar o seu patudo, faça-lhe um check-up analítico e despiste esta doença.

Resumidamente:

Importante a reter: para a transmissão da doença é sempre preciso o vetor! O Phlebotomus por isso:

  1. Não abandone o seu cão por ter Leishmaniose porque pode passar para si. Não é por tocar no seu cão que você vai ficar doente. Sem o vetor, nada acontece.
  2. Se o vetor é essencial para a transmissão, devemos mantê-lo longe quando o nosso animal não tem Leishmaniose (para não contrair), mas também quando tem, para evitar que um Phlebotomus não infetado se infete e contribua para a disseminação da doença! Por isso: cães infetados devem fazer na mesma repelência do mosquito!
  3. Prevenção! Prevenção! E Prevenção! Porque quer aqui, como em 99% dos casos: Prevenir é o melhor remédio.